A biópsia da próstata


Casos os sintomas ou os resultados de testes, como o PSA ou o toque retal, indiquem que você pode ter câncer de próstata, seu médico irá indicar uma biópsia.


A biópsia da próstata é um procedimento em que pequenas amostras de tecido são removidos e analisadas em um microscópio. 


Geralmente é feito por um urologista ou um médico radiologista intervencionista, usando um equipamento de ultrasom através do ânus, que gera imagens em tempo real da glândula. 


O médico introduz uma agulha fina e oca, através da parede do reto e remove em geral 12 fragmentos da próstata próstata. 


Quando o aparelho é retirado, ele remove um pequeno cilindro de tecido do interior da agulha. Este processo é repetido várias vezes até atingir o número de fragmentos desejados. 


Embora o procedimento possa parecer doloroso à primeira vista, a biópsia geralmente provoca apenas uma leve sensação desconfortável, já que a próstata e o reto não possuem fibras nervosas que conduzem sinais dolorosos ao cérebro. Além disso, a biópsia é feita com uma leve sedação, o que significa que você provavelmente nem lembrará do procedimento. 


A biópsia em si leva cerca de 10 minutos e na maioria das vezes não requer uma internação hospitalar. Isso porque o dispositivo de biópsia dispara a agulha numa fracção de segundo, tornando o procedimento menos desconfortável, menos traumático e mais rápido.


Você vai receber antibióticos para tomar antes da biópsia e, possivelmente, por mais um ou dois dias depois, visando reduzir o risco de infecção.


Por alguns dias após o procedimento, você pode sentir algum desconforto na área do períneo e provavelmente vai notar sangue na urina e no esperma. Você também pode apresentar algum sangramento pelo reto. 


Esses sintomas são normais e geralmente somem após 2 a 3 semanas.


É importante deixar claro que hemorróidas não contra-indicam a biópsia. Nesse caso, o médico ficará atento para evitar trauma desnecessário nessa região. 


As amostras de biópsia são enviadas para um laboratório, onde serão avaliadas por outro médico especialista em tecidos (o Patologista). 


Se o câncer é detectado, a doença receberá uma nota de agressividade, conhecida como classificação de Gleason, que vai de 2 a 10, onde 10 representa maior agressividade da doença. 


Um relatório é emitido descrevendo todas as características daquela doença, o que auxilia na escolha do tratamento mais adequado no seu caso.


Mesmo removendo muitas amostras, por vezes a biópsia não é capaz de detectar o câncer. Isto é conhecido como um resultado falso-negativo. Infelizmente, isso pode acontecer em ate 30% dos casos.


Se o seu médico ainda suspeita fortemente que você tem câncer de próstata (porque o seu nível de PSA se mantém muito alto, por exemplo) a repetição da biópsia pode ser necessária para ajudar a chegar ao diagnóstico.



Escala de Gleason


O câncer de próstata é classificado de acordo com o sistema de Gleason. Essa classificação se baseia na soma das notas de agressividade em duas áreas que contem a doença. É atribuída individualmente a cada fragmento de biopsia. Vai de 2 a 10, e quanto maior a nota, maior a agressividade.


• Grau 1: o câncer se parece muito com o tecido normal da próstata normal

  • Grau 5: o câncer parece muito anormal, com comparação ao tecido normal.
  • Graus 2 a 4 têm características em entre estes dois extremos.


A maioria dos cânceres são grau 3 ou superior, e as notas 1 e 2 não são muitas vezes utilizados.


O câncer de próstata muitas vezes se apresenta como um mosaico de áreas com diferentes graus de agressividade. No final, o que conta é a soma das duas áreas de maior agressividade.


Quanto maior a pontuação de Gleason, mario é a probabilidade de o câncer crescer e se espalhar rapidamente.


• Cânceres com uma pontuação de Gleason de 6 ou menor podem ser chamados de bem-diferenciada ou de baixo grau.

• Cânceres com uma pontuação de Gleason de 7 podem ser chamados de moderadamente diferenciados ou de nível intermediário.

  • Cânceres com pontuação de Gleason de 8 a 10 podem ser chamados de mal-diferenciados ou de alto grau.


Outras informações em um relatório de patologia


Juntamente com o grau do câncer, o relatório da patologia geralmente contém outras informações, tais como:


• O número de amostras de biópsia que contêm câncer (por exemplo, 7 de 12 fragmentos)

  • A percentagem de câncer em cada um dos fragmentos
  • Se o câncer é unilateral ou bilateral 


Resultados suspeitos da biópsia

Às vezes, as células da próstata são identificadas com um padrão de organização diferente do considerado normal. Entretanto, tais alterações não são severas o bastante para serem consideradas como um câncer.


Nessas situações, exames mais elaborados assim como um acompanhamento mais rigoroso e, em alguns casos, a repetição da biópsia estão indicados.


Neoplasia intra-epitelial da próstata (NIP)

Em NIP, há mudanças na forma como as células da próstata se organizam, entretanto, não reúnem todas as características de um câncer. NIP é muitas vezes dividida em 2 grupos:


• NIP de baixo grau: os padrões das células da próstata parecem quase normais

  • NIP de alto grau: os padrões das células parecem com alterações mais grosseiras.


Muitos homens começam a desenvolver NIP de baixo grau em uma idade precoce, mas não necessariamente desenvolverão o câncer de próstata. A importância do NIP de baixo grau em relação ao câncer de próstata ainda é incerto. 


Se NIP de baixo grau é relatado em uma biópsia da próstata, o acompanhamento segue igual ao daqueles que receberam o resultado de tecido normal benigno.


Se NIP de alto grau é encontrado, há cerca de 20% de chance de que o câncer já pode estar presente em algum outro lugar na próstata. E é por isso que os médicos acompanham de perto os casos com NIP de alto grau, eventualmente até repetindo a biópsia.


Os estudos na literatura médica são controversos nesse tópico e, muitos deles, recomendam o acompanhamento de homens com NIP de alto grau semelhante aos que tem uma biópsia normal.


Pequena proliferação de ácinos atípicos (ASAP)

Às vezes é chamado apenas de atipia, as células se parecem com o câncer quando analisadas em um microscópio, contudo exibem características mistas entre o tecido normal e a doença, dificultando a conclusão do diagnóstico.


Quando esta condição é detectada, significa que existe uma grande chance de existir algum foco do câncer em alguma outra área da próstata, que não foi identificada pela biópsia. Muitas vezes, uma nova biópsia pode ser recomendada.


Contudo, existe uma alternativa à repetição de uma nova biópsia em todos os casos de ASAP. Uma técnica chamada imuno-histoquímica utiliza corantes especiais aplicados no tecido coletado pela biópsia (anticorpos com corantes de alta afinidade) para identificar o câncer e diferencia-lo do tecido normal.


Atrofia inflamatória proliferativa (PIA): 

Nesta condição, as células da próstata parecem menores do que o normal, e há sinais de inflamação na área. PIA não é câncer, mas os pesquisadores acreditam que PIA pode às vezes se transformar em NIP de alto grau ou mesmo em câncer de próstata.


Exames de imagem para detectar o câncer de próstata

Os exames de imagem usam raios-x (tomografia), campos magnéticos (ressonância), ondas sonoras (ultrasom), ou substâncias radioativas (cintilografia) para criar imagens do interior do seu corpo.


Os exames mais frequentemente utilizados, são:


Cintilografia óssea

O ossos são o local mais frequente para onde as metástases do câncer se implantam. A cintilografia óssea tem a finalidade de identificar possíveis pontos de comprometimento pela doença.


Nesse teste, você recebe na circulação sanguínea uma pequena quantidade de material radioativo de baixa intensidade, que se instala em áreas danificadas dos ossos em todo o corpo. Uma câmera especial detecta a radioactividade e cria uma imagem de sua estrutura óssea.


A cintilografia deve ser interpretada em conjunto com outros dados clínicos e laboratoriais, uma vez que um exame alterado nem sempre significa a existência de metástase. Em alguns casos, uma simples inflamação nas articulações, ou ate mesmo pequenos traumas podem ser confundidos com uma metástase.


Em casos onde a cintilografia não consegue determinar a natureza das alterações, a ressonância magnética e biópsia da lesão podem ser necessárias.


Tomografia computadorizada (TC)

A tomografia computadorizada usa raios-x para fazer imagens detalhadas, transversais do seu corpo. Este exame só é aplicado quando há alta possibilidade de o câncer de próstata ter comprometido órgão adjacentes. Ainda assim, às vezes pode ajudar a dizer se o câncer de próstata se espalhou para os nódulos linfáticos próximos. 


A tomografia não é um método tão bom como a ressonância magnética para a avaliação de doenças da próstata.


Ressonância magnética (MRI)

Como a tomografia, a ressonância magnética mostra imagens detalhadas dos tecidos ricos em água do nosso corpo. Dessa forma, é o exame ideal para avaliação de estruturas como músculos, cérebro e a próstata, por exemplo. 

Um liquido que serve de contraste entre os tecidos, chamado gadolínio, é injetado em uma veia antes do exame, para proporcionar uma imagem muito clara da próstata e mostrar se o câncer se espalhou para outras estruturas, como as vesículas seminais, bexiga, reto ou linfonodos (gânglios). 


Essas informações são muito importantes e influenciam diretamente as opções de tratamento em cada caso. 


Assim como a tomografia, a ressonância magnética não é necessários para o estadiamento da doença em todos os casos. Deve ser solicitada quando há  possibilidade de doença mais agressiva  e de comprometimento de outros órgãos.


Para melhorar a precisão da ressonância magnética, utilizamos em alguns casos a chamada de bobina endo-retal, que nada mais é do que um pequeno balão colocado dentro do reto, com a função de amplificar o sinal magnético e melhorar a qualidade e definição das imagens geradas pelo aparelho. 


Como isto pode ser desconfortável, podemos usar medicações sedativas durante o exame.